Benedito Cardoso dos Santos, aos 44 anos, foi tragicamente assassinado em seu local de trabalho após uma discussão. Marcelo Aloizio de Arruda, de 50 anos, foi morto a tiros durante uma discussão em sua própria festa, sendo agredido mesmo após cair no chão. Francisco Manoel da Silva, 40 anos, perdeu a vida a facadas após um desentendimento em um bar. Davi Augusto de Souza foi baleado na perna durante uma discussão dentro da igreja onde congregava, tudo isso motivado por divergências políticas. As consequências dessas discordâncias são alarmantes. O simples ato de pensar de maneira diferente gera debates e discussões frequentemente resultando em desfechos negativos. Relacionamentos familiares, como pais que deixam de se comunicar com filhos, e amizades que se desintegram, tudo por não compartilharem o mesmo posicionamento político. Atualmente, a facilidade com que as pessoas se envolvem em conflitos políticos, a ponto de romperem laços, reflete a fragilidade dos relacionamentos, conforme destacado pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Embora a teoria de Bauman explique sobre esse comportamento, ela não é uma justificativa plausível. Desavenças políticas têm raízes profundas em nossa história, como por exemplo, evidenciado pela Guerra de Canudos durante os primeiros anos da República no Brasil. O líder religioso monarquista Antônio Conselheiro desafiou as autoridades republicanas, resultando em conflitos e mortes de inocentes. O Arraial de Belo Monte, uma comunidade rural e autossustentável, provocou desconforto entre religiosos, imprensa e a elite da época. As diferenças tornaram-se intoleráveis, levando à impossibilidade de coexistência harmoniosa. O regime republicano falhou em atender às demandas da comunidade, criando um vazio que o Arraial preencheu. O cenário político atual reflete uma falta de atenção às necessidades da população como um todo. Em uma democracia saudável, os governantes deveriam abordar as necessidades de todos os cidadãos, mas a atual polarização e disseminação de ódio revelam uma seleção de grupos pelos candidatos com base em crenças e ideologias, em vez de atender às demandas coletivas. A liberdade de opinião, embora valiosa, é obscurecida pelo caos político atual. Após as eleições, quando as tensões diminuírem, resta questionar se sobreviverão relacionamentos quebrados durante essa guerra moderna. Alguém será eleito, mas onde estarão aqueles dos quais nos afastamos ao defender esse político?
terça-feira, 27 de setembro de 2022
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
O silêncio do governo sobre a morte do congolês Moïse
Moïse Mugenyi Kabagambe foi morto de forma brutal no último dia 24 no Rio. As imagens do crime que circulam nas redes sociais, mostram alguns homens agredindo o jovem congolês de 24 anos de idade, após segundo informações de seus familiares, ter ido cobrar o atraso do pagamento no valor de R$ 200 ao gerente do estabelecimento onde trabalhava. A violência cometida contra Moïse chocou o país e tem tido ampla repercussão e comoção do público, que tem pedido justiça e levantado o debate sobre xenofobia.
Mesmo sendo um assunto que tem movimentado a internet nesses últimos dias, o ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que está sob o comando da ministra Damares, não se posicionou sobre o ocorrido. A ministra tem feito diversos discursos sobre outros temas, como por exemplo, associar a gravidez precoce à exposição de crianças no Tiktok. A ministra, em suas redes sociais, também se concentrou em fazer comparação do governo atual com o do ex-presidente Lula, que criou em 2016 uma oficina de “desprincesamento” de meninas com verba pública.
Embora a ministra ainda não tenha feito uma publicação ou nota sobre a morte de Moïse, o Ministério das Relações Exteriores emitiu uma nota lamentando o ato de violência contra o jovem e afirmou que espera que os envolvidos sejam punidos o mais rápido possível. Seria imprescindível que o Conselho Nacional de Direitos Humanos também pudesse demonstrar interesse nesse caso, principalmente pela conexão histórica. O Congo foi um dos países onde mais negros foram forçados a virem ao Brasil para serem escravizados. A Embaixada do Congo exigiu em nota, respostas das autoridades brasileiras.
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